Morar no Rio de Janeiro aos 48: o meu dia a dia

Como é morar no Rio de Janeiro depois dos 40? A resposta tem mais de rotina do que de cartão-postal. O Rio tem o seu lado cartão-postal, claro, mas o que mais mudou a minha vida foi o jeito como hoje organizo os meus dias: trabalho de casa, organizo as minhas tarefas do meu jeito e administro o meu próprio tempo. Neste post, eu te conto como é um dia meu, o que me surpreendeu na cultura brasileira e o que ainda me custa. Se você está pensando em mudar de lugar, ou simplesmente em mudar a sua rotina, talvez alguma coisa daqui te ajude.

Nathalia olhando a baía do Rio de Janeiro e o Pão de Açúcar de um café

Morar no Rio de Janeiro depois dos 40: manhãs que rendem

Uma das coisas que eu mais curto em morar no Rio de Janeiro é como amanhece cedo: aqui o sol nasce às 5h30 da manhã. Essa luz cedinho faz o dia render um pouco mais e abre espaço para tudo o que eu quero fazer.

Quero deixar uma coisa clara, porque não quero que você pense que eu acordo às 5h30 todos os dias. Não é assim. Amanhecer cedo não significa que eu pule da cama junto com o sol. Mas, quando tenho muitas pendências, aí sim eu acordo bem cedo, e é aí que dá para sentir a vantagem: consigo me organizar com todas as tarefas do trabalho e terminar mais cedo. Se tenho algum compromisso à tarde, chego com o trabalho já encaminhado e sem aquela sensação de estar correndo.

A minha manhã, madrugando ou não, começa com um ritual simples. Levanto, passo um café, faço umas torradas com queijo e tomo café da manhã com toda a calma. É um momento sem pressa, e eu cuido dele: esse tempinho é meu, antes de o trabalho começar.

Depois do café, preparo o meu espaço de trabalho. Arrumo um pouco o escritório, limpo o que for preciso e só então sento para trabalhar. Parece um detalhe pequeno, mas esse ritual avisa a minha cabeça que o dia de trabalho começou.

Um dia de trabalho em casa no Rio

Organizar o espaço e as tarefas

Tenho o escritório em casa, e isso me permite montar o dia do meu jeito. Programo as minhas tarefas, ou pelo menos tento, porque nem sempre sai exato. Por exemplo, dedico um tempo à agência de viagens, depois outro ao meu projeto pessoal, e assim vou dividindo a energia entre as duas coisas.

Entre uma tarefa e outra, sobra espaço para uma pausa pequena: brinco um pouco com a Tokio, a minha cachorrinha salsicha. Parece um detalhe fofo, e é, mas também funciona como uma pausa de verdade. A Tokio faz parte da minha rotina de trabalho, e dá para ver que ela adora fazer parte.

O almoço ao meio-dia: o que me surpreendeu

Uma das coisas que mais me surpreenderam na cultura brasileira é que aqui se almoça religiosamente ao meio-dia. Para mim, que vinha de outros horários, era uma novidade. O curioso é que o meu corpo se acostumou muito rápido: às 11h45 eu já estou com fome, kkkkk.

Então almoço ao meio-dia e depois sigo com o trabalho. Essa pausa bem marcada no meio do dia divide a minha jornada em duas partes e me ajuda a não trabalhar horas seguidas.

O que mais me custou em morar no Rio: o idioma

O que mais me custou, e ainda me custa, é o idioma. Eu achava que ia ser muito mais fácil, porque o português é muito parecido com o espanhol. E é, até deixar de ser: parece que você entende tudo e, de repente, aparece uma palavra, uma expressão ou um som que não tem nada a ver com o que você esperava.

Continuo aprendendo. Não digo isso com pena, e sim com sinceridade: aprender um idioma nessa idade leva tempo e tem o seu lado de humildade. Vai ter dia de avançar mais e dia de avançar menos, e o segredo é encarar tudo isso como parte do processo.

Se você está pensando em mudar de país, não subestime isso. Ser parecido com o seu idioma não significa que seja fácil. Pense no idioma como uma das coisas que você vai construir aos poucos, sem pressa e sem se comparar com ninguém.

E, se hoje é isso o que mais te custa, quero te dizer que para mim também. É uma parte do caminho que não dá para pular, mas que vai ficando mais leve com o uso diário, nem que seja poucas palavras de cada vez.

Trabalhar por conta própria: escolher quando e onde

A grande diferença em relação à minha vida anterior é que agora quem administra o tempo sou eu. Depois do almoço, continuo trabalhando até as 17h, ou até as 20h se estou muito empolgada com o que estou fazendo. Essa flexibilidade faz parte de ser a sua própria chefe, e também exige responsabilidade.

De vez em quando, saio para trabalhar fora: em algum café, numa biblioteca ou em qualquer lugar com uma boa internet. Poder escolher um lugar diferente de vez em quando é outro ponto positivo de trabalhar por conta própria: escolher onde eu quero trabalhar.

Isto é o que eu mais valorizo na minha rotina no Rio:

  • Os amanheceres cedinho, com luz desde as 5h30, que me ajudam nos dias de muitas pendências.
  • Um café da manhã tranquilo, sem pressa e sem telas.
  • O meu espaço de trabalho em casa, arrumado do meu jeito.
  • A liberdade de escolher onde trabalhar, até num café ou numa biblioteca.
  • Os momentinhos com a Tokio, que deixam o dia mais leve.

Tudo isso é possível porque eu mudei as regras. Quando você trabalha por conta própria, ninguém monta a sua rotina por você: quem monta é você, com os seus horários, as suas pausas e os seus limites.

Como seria o seu dia se você pudesse desenhá-lo?

E você, como seria o seu dia se pudesse desenhá-lo do zero? O que você manteria da sua rotina atual e o que mudaria? Às vezes, pensar em como você quer que seja um dia qualquer é o primeiro passo para começar a construí-lo.

Em breve vou trazer para o português os posts sobre como me organizo para trabalhar por conta própria e como parar de procrastinar trabalhando de casa.

Me conta nos comentários como é a sua manhã ideal. Eu ia adorar ler como cada uma se organiza, porque cada rotina conta uma forma diferente de viver.

Se quiser começar por pensar se é o seu momento, deixo aqui o meu guia grátis com 10 perguntas: